O resultado do GP de Cingapura foi dos piores possíveis para Rubens Barrichello. Largando à frente de Jenson Button, o mínimo que o brasileiro podia esperar era que a diferença entre os dois no campeonato fosse mantida a mesma — apesar de, obviamente, almejar que ela fosse diminuída.
Um dos mais recentes palcos da Fórmula 1, a cidade de Cingapura é a capital do país homônimo, que nada mais é do que uma pequena ilha ao sul da Malásia. Um lugar onde a modernidade, cada vez mais presente, é fruto dos incentivos fiscais e dos investimentos na área tecnológica feitos pelo governo. O clima tropical, com calor nas quatro estações do ano, atrai turistas de toda a Ásia, que se sentem em casa neste país composto por diversas etnias.
O desempenho da Brawn no início da temporada foi tão arrasador que quase todo mundo definiu a disputa pelo título apenas entre Jenson Button e Rubens Barrichello, com amplo favoritismo do inglês. Depois, entretanto, a Red Bull cresceu, Sebastian Vettel e Mark Webber se aproximaram da ponta ao mesmo tempo em que Button foi perdendo rendimento. A partir daí, o título de Jenson já era visto como algo complicado, e cheguei a ler a palavra “improvável” em alguns lugares.
O GP da Hungria teve um certo ar de nostalgia recente. Não parecia fazer parte da temporada das surpresas, da Brawn e da Red Bull, dos vexames de Ferrari e McLaren. A décima etapa do Mundial de F-1 teve, finalmente, uma equipe dita “grande” no alto do pódio. E outra em segundo lugar.
O acidente de Felipe Massa no treino classificatório deste sábado, em Hungaroring, foi um dos mais esquisitos e infelizes que eu já vi. A falta de sorte de ter a cabeça atingida pela peça que se soltou do carro de Rubens Barrichello foi impressionante.
Foi daquelas vitórias para lavar a alma. O primeiro triunfo de Mark Webber na F-1 veio depois de 130 GPs. É um recorde. Até então, o piloto que mais tempo levou para vencer foi Rubens Barrichello, que subiu ao lugar mais alto do pódio na 124ª corrida da carreira, curiosamente também num GP da Alemanha, em 2000.
Vettel foi perfeito. Pole, vitória e volta mais rápida. O piloto da Red Bull não deu espaços para erros e caminhou seguro para a terceira vitória da carreira na F-1, dessa vez no GP da Inglaterra. O alemãozinho continua em terceiro no campeonato, mas a diferença para Button agora caiu para 25 pontos.
No Bahrein, três em quatro. Em Barcelona, quatro em cinco. Em Mônaco, cinco em seis. E agora na Turquia, para manter o impressionante domínio, seis em sete. Jenson Button dispensa qualquer adjetivo este ano. Mais uma vitória incontestável, mais líder do que nunca. Chega a ser repetitivo falar das corridas do moço. Caminha a passos largos rumo ao título. A vantagem para Barrichello está na casa dos 26 pontos agora.
Só que contra fatos não há argumentos. O desempenho da Brawn GP lembra muito certa equipe italiana em 2004. Naquele ano, um tal de Schumacher venceu as cinco primeiras etapas do ano. Na sexta, o GP de Mônaco, não terminou. Foram cinco vitórias em seis corridas. 50 pontos contra 38 de Barrichello, o segundo colocado. 12 de diferença
Se Vettel foi impecável pela vitória na corrida anterior, o desempenho de Jenson Button hoje no Bahrein foi com o selo Ross Brawn de qualidade. O inglês fez uma corrida irretocável e venceu pela terceira vez em quatro corridas no ano.
Chuva na Fórmula 1 sempre cria aquela sensação de que tudo pode acontecer na próxima curva.
Quem assistiu ao GP da Austrália pela TV deve ter notado que os pit stops da Brawn GP não foram os mais rápidos do mundo. Falta de treino? Medo de errar?